Aumento do número de vereadores na Câmara de Boa Vista tem repercussão negativa. Foi um erro!

Depois da notícia, a análise. A decisão de aumentar o número de vagas na Câmara Municipal de Boa Vista de 21 para 23 não foi bem recebida pela sociedade. A repercussão da notícia nas redes sociais foi explosiva. Reprovação total da audiência. Mas a maioria dos vereadores (um total de 19) decidiu, nesta quarta-feira (2 de outubro), que o Parlamento da nossa capital precisa de mais membros. Decisão questionável.

É claro que pare dos vereadores está preocupada, digamos, com o seu próprio futuro. Diante do olhar crítico e desconfiado da sociedade, que não se sente bem representada pelos vereadores – não só em Boa Vista mas em todo o estado e porque não dizer no país? – a ideia de aumentar o número de vagas na Câmara soa como uma afronta.

Não se pode generalizar porque existem, sim, vereadores realmente comprometidos com as causas coletivas, mas, para quem cobre o dia a dia do parlamento, como eu, resta bastante claro que alguns deles só estão preocupados com seu próprio umbigo. Aumentando-se o numero de vagas na Câmara, teoricamente reduz-se o coeficiente eleitoral para se eleger no próximo pleito.

A justificativa da mesa-diretora da Câmara, presidida pelo vereador Mauricélio Fernandes (MDB), foi a de que o projeto de alteração da Lei Orgânica do Município foi decorrente de um pedido dos partidos. Não dá para engolir. Os partidos são organismos fisiológicos e, em muitos casos, se constituem em verdadeiros balcões de negócio que servem apenas para negociar cargos. Não são instâncias realmente preocupadas com o bem-estar coletivo.

Considero bastante louvável, coerente e lúcida a postura do vereador Linoberg Almeida (Rede) que, apesar de não ver ilegalidade na decisão de aumentar o número de vereadores de Boa Vista, decidiu votar contra a media por entender que esta não é uma boa ideia. Linoberg sabe o que faz. É um legislador muito bem preparado para a função que ocupa. Tem cumprido com louvor seu papel de vereador.

O que a mesa-diretora da Câmara deveria ter feito, antes de levar o projeto de aumento do número de vagas da Casa a plenário, era uma consulta popular, um referendo, para saber se a população aprovava a medida. Não seria uma ação cara. Bastava ter aproveitado as dezenas de sessões itinerantes realizadas desde o ano passado nos diversos bairros da nossa cidade para consultar a vontade popular. Ou ter convocado uma audiência pública com essa finalidade.

Porque os vereadores nunca ouvem a população para tomar decisões como esta? A resposta é evidente.

Os vereadores não fizerem isso porque já sabiam de antemão a resposta. A população não aprova a medida por não se sentir bem representada. Simples assim.