Alan do Povão diz que Wagner Feitosa não tem mais direito à vaga na Câmara e recorre à justiça

O retorno do vereador Wagner Fetosa (SD) à Câmara Municipal de Boa Vista, na tarde de ontem, depois da sua saída da prisão, deve gerar polêmica no Poder Legislativo. Tudo indica que vamos assistir a uma dança das cadeiras sem fim, até chegar o pleito do próximo ano. Feitosa foi acusado de envolvimento com o crime organizado, mas ele alega ser inocente.

O suplente, Alan do Povão (SD), já ingressou na justiça com recurso contra a posse de Feitosa, feita ontem pela Mesa Diretora da Câmara. No entendimento de Alan, seu colega de partido não tem mais direito à vaga, pois passou mais de um ano fora do mandato e já contabiliza mais de 400 faltas.

Um parecer do Ministério Público (MPRR) diz que não ficou comprovado nenhum envolvimento de Wagner Feitosa com organização criminosa, tráfico de drogas ou facção. Ficou mantida, porém, a acusação de desvio de recursos públicos, segundo a qual o parlamentar se apossava de parte do salário de servidores do seu gabinete.

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“Pelo regimento interno, ele já não tem mais direito à vaga na Câmara”, afirmou. “Por outro lado, não existia nenhuma decisão da justiça determinando o retorno de Wagner Feitosa ao cargo”, disse. “Fizeram uma manobra para empossar o vereador”, acusou.

Durante o tempo em que esteve preso, Wagner Feitosa continuou recebendo o salário de vereador, pago pela Câmara, até Alan do Povão tomar posse há cinco meses.

Mauricélio diz que mandato pertence a Wagner Feitosa

O presidente da Câmara, vereador Mauricélio Fernandes (MDB), disse que não há nenhum impedimento legal para que a Casa dê posse a Wagner Feitosa.

Segundo Fernandes, Alan do Povão ingressou na justiça com um pedido de extinção do mandato de Feitosa, mas o pedido foi indeferido, o que significa que o vereador empossado ontem é o detentor da vaga na Casa por direito.

“Alan do Povão não pode se sentir dono do mandato. Ele assumiu como suplente e sabia que o detentor do mandato poderia voltar a qualquer momento”, disse. Mauricélio também rebateu a acusação de que tenha havido um “arrumadinho” para dar posse às pressas a Wagner Feitosa.

“Eu fiquei sabendo que ele seria solto ainda na quarta-feira (26 de junho) e fiquei aguardando a decisão da justiça. Quando ele saiu da prisão, entrou com o pedido para tomar posse e, não havendo nenhum impedimento legal para que o empossássemos, nós assim procedemos”, justificou.