Países do Grupo de Lima, União Europeia e OEA endurecem discurso contra Nicolás Maduro, presidente ‘ilegítimo’ da Venezuela

O presidente venezuelano Nicolás Maduro tomou posse ontem, de forma isolada, para seu segundo mandato num país engolido pela crise social e econômica. Os jornais da Argentina, Clarín e La Nacion, destacam nesta sexta-feira (11 de janeiro) que o Paraguai decidiu convocar seu embaixador em Caracas de volta ao país. O governo paraguaio repudia a postura ditatorial de Maduro, que realizou eleições sem dar espaço para a oposição.

O Clarín comparou a situação da Venezuela a um Titanic prestes a afundar. O editorial de hoje do maior jornal argentino afirma que “a cerimônia [de posse] se pareceu com a orquestra tocando no convés do Titanic’. Os dois principais diários argentinos anotam que os 13 países do Grupo de Lima, todos os membros da União Europeia e mais a Organização dos Estados Americanos (OEA) endureceram o discurso contra o ditador venezuelano, qualificando-o de ilegítimo.

O presidente Maurício Macri, da Argentina, segue os passos do Paraguai e endurece a postura e o discurso contra o governo bolivariano de Maduro. Macri proibiu, inclusive, a entrada de altos funcionários do governo venezuelano em seu país e determinou maior vigilância pelo Banco Central argentino quanto as movimentações financeiras do país vizinho.

A cerimônia de posse de Nicolás Maduro contou apenas com a presença dos presidentes de Cuba, Bolívia, Nicarágua e El Salvador cujos governos de esquerda têm perfil parecido com o do mandatário venezuelano.

Todos os demais países da America Latina rechaçam a suposta legitimidade do novo mandato de Maduro. Um comunicado oficial da União Europeia publicado a partir de Bruxelas diz que “as eleições presidenciais realizadas em maio de 2018 na Venezuela não foram nem libre nem justas”. O texto também condena a omissão do presidente venezuelano para o chamado da UE para a realização de eleição democráticas no país caribenho.

Em meio a tudo isso, a Venezuela segue rumo ao abismo econômico, conforme sinalizam os diários argentinos e evidencia o fluxo em massa de cidadãos venezuelanos em busca de abrigo em várias parte do mundo. A expectativa para este ano é de que a inflação atinja os 10.000.000%. Enquanto isso, algo em torno de 3 milhões de venezuelanos deixaram o país entre 2015 e 2018 e a expectativa é que esse número chegue a 5 milhões neste ano.

Mesmo assim, Maduro segue dizendo que é um presidente democrático e se coloca como vítima do que chama de “guerra imperialista”. “Venezuela é o centro de uma guerra mundial do imperialismo americano e seus governos satélites”, disse ele em seu discurso de posse.

“Venezuela é uma democracia. Eu sou um presidente democrata de verdade e tenho cumprido com a Constituição”, afirmou Maduro, mesmo tendo descumprido o mandato constitucional de que a posse do presidente da Nação deve ser feito perante o Parlamento.

Luiz Valério escreve direto de Bueno Aires, Argentina.

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