Conselho Tutelar de Caracaraí precisa de mais apoio

Os conselheiros tutelares de Caracaraí enfrentam muitas dificuldades para realizar seu trabalho na defesa dos direitos e da integridade física e psicológica das crianças e adolescentes do município.

A “Cidade Porto”, infelizmente, vive sob o signo nefasto da exploração sexual e do tráfico de drogas. De acordo com o órgão, os jovens de Caracaraí estão expostos a muitas situações de vulnerabilidade. Os casos de abuso sexual continuam acontecendo com bastante intensidade, principalmente na zona rural.

A falta de apoio da rede de proteção, inclusive da polícia, e as condições precárias de atuação do órgão são os principais entraves vivenciados pelos conselheiros.

Por outro lado, os membros do Conselho Tutelar são vítimas de constantes ameaças, inclusive de morte. Daí a necessidade do apoio incondicional da polícia para que eles possam desenvolver seu trabalho.

“Infelizmente, falta a compreensão por parte de alguns dos membros da rede de proteção sobre qual o seu papel. Por isso, o nosso trabalho fica comprometido. É preciso que cada um dos atores que fazem parte da rede de proteção tenha plena compreensão da sua responsabilidade. Do contrário o trabalho não surte o efeito necessário e sequer pode ser feito como deveria”, disse o conselheiro Antônio Guevara Nogueira

As condições da sede do Conselho Tutelar de Caracaraí é uma espécie de metáfora das dificuldades pelas quais passam os membros do órgão para desenvolver suas atividades.

Ainda que esteja numa situação menos precária que a dos conselhos de outros municípios, é flagrante a falta de cuidado da Prefeitura local com o ambiente que deve passar sensação de segurança e bem-estar aos jovens vítimas de violência.

O mato toma conta das cercanias do prédio. A quantidade de combustível destinado ao órgão não é suficiente para atender à demanda. O Conselho recebe algo em torno de 300 litros de gasolina por mês. O material de expediente também é fornecido em quantidade sempre aquém do necessário. “O apoio do município poderia ser maior”, disse Nogueira.

Socorro Guerra diz que município dá suporte necessário ao órgão

A prefeita de Caracaraí, Socorro Guerra, rebateu as queixas dos membros do Conselho Tutelar do Município segundo as quais lhes faltam as condições ideais de trabalho.

De acordo com os conselheiros ouvidos pela reportagem, a Prefeitura tem pago os salários em dia, disponibilizado combustível para o veículo que serve ao órgão, mas a quantidade tanto de gasolina quanto de material de expediente não é suficiente. As condições do prédio do CT também estão longe de atender as necessidades do público atendido pelo órgão.

Segundo a gestora, quando ela assumiu a Prefeitura em 2017, encontrou o prédio do Conselho Tutelar completamente destruído e, de pronto, fez a reforma necessária.

“Tenho mantido os salários rigorosamente em dia e ainda pago uma gratificação de R$ 300 sobre o salário para ajudar nas despesas quando os conselheiros viajam. Então, eu não sei do que eles [os conselheiros] estão reclamando”, disse Socorro Guerra.

A prefeita frisou que só libera o combustível na quantidade necessária para o trabalho, num total de 30 litros por semana. Quando os conselheiros precisam viajar para as cidades vizinhas e para as vilas, aí a secretaria responsável libera mais combustível.

“O que nós vemos é o carro do Conselho Tutelar levando e pegando conselheiros em casa. Isso está errado. O carro do Conselho é para ser usado exclusivamente em prol da sociedade “, disse.

Socorro Guerra afirmou que na sua gestão tudo é cuidadosamente calculado e isso inclui o combustível fornecido ao CT.

“Se esse combustível for usado apenas para o trabalho, dá e ainda sobra. Por isso, sinceramente eu não entendo do que os conselheiros estão reclamando”, disse a prefeita, destacando que os membros do CT não têm apresentado relatórios das suas atividades. “Se eles colocarem no papel de forma clara os motivos pelos quais precisam de mais combustível, pode ter certeza que eu libero”, afirmou.

Matéria publicada originalmente na edição de Dezembro do Jornal Roraisul

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