A reconstrução de Roraima é tarefa coletiva

As recentes operações da Polícia Federal deflagradas para desmontar esquemas de desvio de dinheiro do sistema prisional, da merenda e do transporte escolar, com envolvimento de secretários de estado e ex-secretários e até mesmo com o filho da governadora afastada, Suely Campos (Progressistas), apontado como um dos principais protagonistas, desnudaram os reais motivos que levaram o estado à bancarrota financeira.

Não é de mais afirmar que a situação de insolvência financeira a que chegou o Estado de Roraima foi construída a muitas mãos, na base da irresponsabilidade administrativa, do comportamento criminoso e perdulário e pela absoluta falta de aptidão da então mandatária para governar.

Por quase quatro anos Roraima esteve tal qual um barco à deriva em águas caudalosas, com remadores que estavam mais para piratas saqueadores do que mesmo para gestores da coisa pública. Agora, quanto mais se investiga e se levanta informações, mais irregularidades são encontradas. As dívidas e os prejuízos se acumulam aos bilhões.

Na base da mais absoluta falta de compromisso com o futuro de Roraima, sangraram os cofres públicos até a falência.

Um pente fino feito na Secretaria da Fazenda pelo governo de intervenção detectou muitos fantasmas de luxo, alguns deles morando em Miami, Estados Unidos, mas recebendo do estado sem estar efetivamente trabalhando. Na base da mais absoluta falta de compromisso com o futuro de Roraima, sangraram os cofres públicos até a falência. Sem dó nem piedade.

Recuperar Roraima da pilhagem imoral que fizeram com o estado ao longo dos últimos anos, definitivamente, não será uma tarefa fácil. Será preciso a junção de forças e a demonstração de boa vontade e de sentimento republicano de todos os poderes.

Para isso, o interventor federal Antônio Denarium convocou os chefes de poderes e representantes das diversas instituições estaduais e federais para uma conversa, no sentido de propor um pacto pela recuperação financeira do estado.

Apesar das dificuldades, que não são poucas, começa a surgir no coração dos roraimenses a esperança de que num futuro não muito distante possamos ter um estado com sua saúde financeira estabilizada, onde os servidores públicos que ajudam a engrenagem administrativa a continuar girando, não sejam penalizados com atrasos desumanos de salários.

O governo de intervenção conseguiu convencer o Poder Central a injetar algumas centenas de milhões de reais em Roraima para pagar os atrasados e quitar a folha. Daqui para a frente, será preciso um tanto de sacrifício de todos os poderes para evitar que a situação volte ao caos em que estávamos mergulhados até bem pouco tempo atrás.

Os primeiros passos com o objetivo de recuperar o estado já foram dados. Mas esta não será uma tarefa para um único governo. Não há salvador da pátria. O que Roraima precisa é do compromisso de todos – governo, servidores, chefes de poderes, órgãos fiscalizadores e sociedade – para que possa se reerguer. Cada um tem que dar a sua parcela de contribuição. Do contrário, o barco tende a afundar e todos seremos vítimas do desastre.

Este texto foi publicado originalmente como editorial da edição de dezembro do Jornal Roraisul que começou a circular neste sábado

O que você pensa a receito?

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Autor: Luiz Valério

Luiz Valério nasceu em Juazeiro do Norte, no Cariri cearense. Sou formado em Letras e atua como professor e jornalista. Tenho pós-graduação em Comunicação Social, Assessoria de Imprensa e Novas Tecnologias. Escrevo blogs desde 2003 período a partir do qual passei a me dedicar ao estudo do tema. Seja bem vindo, a casa é sua!

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