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Dois deputados do grupo de Jalser Renier são presos em operações da Polícia Federal

Algo de muito grave (além do desvio de recursos públicos, é claro) chama a atenção em duas das últimas operações da Polícia Federal desencadeadas em Roraima. A primeira delas é a prisão de dois deputados recém-eleitos que sequer foram diplomados. Ione Pedroso (SD) e Renan Beckel Filho (PRB) – presos respectivamente nas operações Zaragata e Escuridão -, integram o grupo de novos parlamentares próximos ao atual presidente da Assembleia Legislativa, Jalser Renier (SD).

Como se pode ver, Ione, que foi presa em casa, no bairro Paraviana, área nobre de em Boa Vista, na manhã desta sexta-feira (14 de dezembro), é inclusive do mesmo partido de Jalser. Os dois parlamentares seriam votos favoráveis ao presidente da Assembleia Legislativa, na eleição para a Mesa Diretora da Casa. Eles seriam diplomados hoje. Agora estão atrás das grades, acusados de corrupção.

O outro aspecto que chama a atenção é o fato de que mal estrearam na vida pública, os dois políticos, seguidores de Jalser, repita-se, já estão envolvidos em pesados esquemas de corrupção. Renanzinho Beckel é acusado de encabeçar, junto com Guilherme Campos, filho da ex-governadora Suely Campos, o esquema de desvio de recursos públicos do sistema prisional de Roraima.

O deputado recém-eleito, Renan Beckel Filho, foi preso na Operação Escuridão, desencadeada pela Polícia Federal no dia 29 de novembro

O dinheiro então destinado à alimentação dos presos era saqueado por uma quadrilha de corruptos, da qual fazia parte Renanzinho, conforme apontam as investigações da Polícia Federal. Os recursos roubados dos cofres públicos financiavam festas nababescas e até mesmo o aluguel do Autódromo de Interlagos, ao preço de R$ 50 mil por algumas horas, conforme informações repassadas por fontes deste blog. Enquanto isso, os reeducandos ficavam sem comida e ameaçando colocar em risco a segurança da população. Isto é de uma atrocidade sem tamanho.

Agora, vem a Operação Zaragata e desmonta mais um esquema ardiloso que prejudicava milhares de estudantes carentes, que ficaram privados de ir para a escola por falta de transporte escolar. No centro do esquema, a deputada Ione Pedroso, eleita, pelo que se percebe, com dinheiro sujo da corrupção. Enquanto milhares de alunos deixavam de assistir as aulas, empresas montadas para desviar recursos do transporte escolar se esbaldavam com o dinheiro público.

Como eu disse nas minhas lives no Facebook, parafraseando o superintendente da Polícia Federal em Roraima, Richard Murad, “a corrupção mata direta e indiretamente”. Os dois esquemas dos quais participavam os aliados de Jalser são uma demonstração inconteste do quanto a corrupção pode prejudicar pessoas inocentes e desestabilizar a vida da população de todo um estado.

As investigações da Polícia Federal estão desnudando algo que estava evidente, mas nos faltava a prova: a corrupção estava drenando todos os recursos que chegavam a Roraima para o bolso e as contas de uma meia dúzia de gatunos. Ao que tudo indica, o que a PF descobriu até agora é apenas a ponta do iceberg. Muito mais podridão poderá jorrar dos dutos da corrupção em Roraima. Os bravos agentes da PF ainda terão muito trabalho pela frente.

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