Temer decide fazer intervenção federal em Roraima. Denarium será o interventor

Boa noite, meus caros!

Eu estava na estrada, sem conexão com a Internet, e cheguei agora há pouco em São Luiz, no Sul de Roraima. Ao desembarcar no hotel e conferir os sites de notícia, me deparei com a informação acerca da decisão do presidente da República, Michel Temer (MDB), de decretar uma intervenção federal total em Roraima e nomear o governador eleito Antônio Denarium (PSL) como interventor do estado até 31 de dezembro. Esta é uma medida que vinha sendo cogitada e até mesmo esperada pela sociedade local.

Segundo o anúncio feito por Temer, a decisão foi tomada em comum acordo com a governadora Suely Campos (Progressistas), que será afastada do cargo. O presidente da República deve assinar um decreto, neste sábado (8 de dezembro), oficializando a intervenção federal em Roraima. Na sequência, Denarium começa a atuar como interventor, quando passará a adotar as medidas necessárias para minimizar os problemas mais urgentes do estado.

O afastamento de Suely do cargo foi a condição para que o Governo Federal aceitasse ajudar o estado a resolver o problema de atraso no pagamento dos salários dos servidores. A intervenção federal foi o remédio amargo encontrado para tentar tirar Roraima do buraco em que se encontra.

É o fim melancólico de um grupo político. Suely conseguiu ser um desastre maior do que a tragédia que se anunciou desde o princípio do seu governo. Dificilmente os Campos conseguirão se reerguer dessa tragédia política que protagonizaram em Roraima.

Denarium deu entrevista coletiva ainda esta noite confirmando que será o interventor federal de Roraima. Dessa forma, ele assume o governo de fato antes mesmo da posse como governador eleito, em 1 de janeiro. Certamente, esta era a melhor medida a ser tomada. Não faria sentido nomear outra pessoa como interventora para passar menos de um mês na função.

Ao assumir o comando do estado, Denarium poderá fazer uma transição mais tranquila, além de assumir o controle da situação. Isso não significa, porém, que todos os problemas vão se resolver como que num passe de mágica. Mas, falando a grosso modo, corta-se o mal do desastre administrativo de Suely pela raiz.

Ao fim prevaleceu a ideia do deputado Jorge Everton de que Roraima precisava de uma intervenção federal. O que eu imagino que ninguém pensava é que o presidente Temer iria escolher o governador eleito Antônio Denarium para ser o interventor.

Agora, com a promessa de ajuda do Governo Federal, os servidores que estão há meses sem receber salário, têm a esperança de que sua situação difícil possa ser amenizada em muito pouco tempo. Com a ajuda do Poder Central, Denarium terá um começo de governo bem menos traumático. Espera-se que pelo menos a questão salarial seja resolvida. E este já será um grande avanço.

Denarium disse que foi avisado sobre a intervenção federal e convidado para ser o interventor por meio de uma ligação telefônica do presidente Temer. “Nós aceitamos o desafio de sermos o interventor e iniciaremos, nos próximos dias, o trabalho como interventor federal do Estado de Roraima”, disse o governador eleito. Segundo Denarium, o pagamento de salário dos servidores será sua prioridade, no primeiro momento.

Denarium confirma em entrevista que foi convidado e aceito ser interventor federal de Roraima:

Eis o pronunciamento do presidente Michel Temer sobre a intervenção federal em Roraima:

Pronunciamento

Nós estivemos hoje reunidos, uma boa parte da equipe, como podem perceber, com a presença do presidente da Câmara dos Deputados. Eu também comuniquei ao senador Eunício, mas ele está no Ceará e fora de Fortaleza.

Mas nós debatemos hoje, durante umas três horas, mais ou menos, a questão de Roraima, que está, na verdade, se agravando, de dois dias para cá. E tentamos os mais variados meios, de maneira a que pudéssemos fornecer recursos a Roraima, a fim de tentar inviabilizar esse movimento que lá está ocorrendo.

Não encontramos nenhuma saída legal para tanto. E daí porque eu, ainda há pouco tempo atrás, falei com a senhora governadora e disse que a única hipótese para solucionar esta questão, especialmente aquela de natureza salarial, seria decretar a intervenção até a posse, naturalmente, do novo governador. Ou seja, até 31 de dezembro. E fiz com a senhora governadora uma espécie de intervenção negociada. Ela acedeu a esta fórmula, concordou com esta fórmula. Acha que, de fato, a situação está se complicando no estado de Roraima e que a melhor solução seria precisamente essa.

Com isso nós queremos, na verdade, pacificar as questões de Roraima. E vejam que, sem embargo de tratar-se de uma intervenção já agora, no próprio estado, mas é de comum acordo com a senhora governadora. Foi pelo menos o que nós falamos ao telefone com ela. Não apenas eu, mas a senhora advogada-geral da União.

De modo que é esta comunicação que eu quero fazer, espero que chegue a Roraima, na convicção de que com esta intervenção, e logo mais eu consultarei, para nomear o interventor. Eu espero que com isto o movimento se amaine, não é? Fique mais, digamos, compreensivo, porque, afinal, especialmente as forças militares, agentes penitenciários e todos aqueles que se dedicam à tarefa pública, têm que pensar precisamente na população de Roraima.

Nós decidimos desta maneira. Amanhã já estamos convocando o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional para colocarmos esta questão. Portanto, nós levaremos a este Conselho a decisão que aqui tomamos. E logo depois, naturalmente, expediremos não só o decreto de intervenção, como outras medidas, já acertei com o presidente Rodrigo Maia, outras medidas normativas que sejam necessárias para complementar e para completar a intervenção federal em Roraima.

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