A influência das redes sociais nas eleições e a hipocrisia do PT

Que estas eleições seriam marcadas pela influência das redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram e WhatsApp, este principalmente) todo mundo já sabia. Afinal, este é um fenômeno planetário sem volta e que já tinha causado estragos na eleição presidencial dos Estados Unidos, levando o alucinado Donald Trump à Casa Branca. Se nem a autodeclarada maior democracia do mundo conseguiu ficar imune às influencias nefastas dos robôs, fakes e publicações impulsionadas, inclusive com a decisiva participação da Rússia, o que esperar da nossa democracia de faz de conta aqui no Brasil?

O que me causa espanto é a hipocrisia generalizada o PT e de seus apoiadores e simpatizantes, mostrando-se perplexos com um fenômeno criado deliberadamente para influenciar as escolhas dos cidadãos em nível planetário da qual o Partido dos Trabalhadores sempre fez uso farto, quando lhe foi conveniente. O governo Lula financiou ativistas de redes sociais e blogueiros para se reeleger em 2006 e para defender seu governo no segundo mandato, no período pós-mensalão.

Depois, nas eleições de 2010 e 2014, novamente o PT arregimentou soldados digitais nos blogs, no Facebook e no Twitter para impulsionar a candidatura do poste Dilma Rousseff e, posteriormente, para defender seu governo do inevitável impeachment. A Internet e as redes sociais são a nova ágora pública onde as pessoas se expressam e defendem suas ideias e posicionamentos políticos. Isso é um fato. É nesses ambientes virtuais que se faz política agora. Foi também para essas redes de relacionamentos que migraram as práticas nefastas da política que sempre existiram no mundo analógico.

Lembro-me bem que no ano de 2010 eu fui convidado para participar de um treinamento oferecido pelo PT, aqui em Roraima, em que a militância foi ensinada pelo profissional de TI e “ativista pela liberade do conhecimento”, @MarceloBranco, a usar as redes sociais para influenciar nas eleições a favor da candidata Dilma Rousseff.

Nunca fui ativista do PT ou de qualquer outro partido, mas como atuo na área do webjornalismo há anos, os organizadores do treinamento aqui no estado, que eram pessoas conhecidas, resolveram me mostrar como seria a campanha petista daquele ano. Esse treinamento foi dado em várias cidades brasileiras, grandes e pequenas. Naquela época ainda não tínhamos o arrasa quarteirão WhatsApp, a mais frenética de todas as redes sociais mobiles.

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O que está acontecendo nas redes sociais e em especial no WhatsApp é o que sempre aconteceu na vida offline. Panfletos apócrifos, notas e notícias falsas plantadas em jornais, jornalecos de ocasião, editados somente para circular durante o período eleitoral apenas migraram para a Internet e assumiram um novo formato e linguagem. Tudo isso o que hoje se convencionou chamar de Fake News sempre existiu e foi usado por políticos de todos os matizes para desacreditar e destruir a imagem dos adversários. Mudaram apenas as plataformas. Agora temos o poder avassalador das redes sociais digitais que espalham mensagens numa velocidade alucinante e com um alcance antes inimaginável.

Fernando Haddad, candidato petista que caminha para uma derrota nas urnas – caso o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não decida tirar Jair Bolsonaro do jogo eleitoral por antecipação a pedido do PT – acusa seu adversário de uma prática que o Partido dos Trabalhadores sempre usou e que conhece bem. E como eu já disse no Twitter mais cedo, aqui não é uma defesa de Jair Bolsonaro, não. Eu não acho que o ex-militar seja a melhor alternativa para governar o Brasil. Assim como considero que Haddad também não é.

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O que trago aqui é a pura e simples constatação da hipocrisia sem limites que impera na política nacional. Se é o PT que usa e abusa de redes digitais para propagar suas mensagens de divisão de classes, tudo bem! Mas quando outros fazem uso das mesmas estratégias, com mais competência e sucesso, aí passa a ser crime. O que quero dizer é que para o bem ou para o mal – assim como já aconteceu na nossa vida cotidiana – a influência das redes sociais e dos aplicativos de mensagens como o WhatsApp é uma realidade sem volta. E a tendência é só aumentar. Ocorre que quem manuseia essas ferramentas somos nós, seres humanos, movidos a paixões, interesses e defensores de alguma causa.

Todos esses ingredientes juntos com o tempero hipercondimentado da política resulta em tudo o que estamos assistindo agora. O mundo mudou, a forma de fazer política mudou e as plataformas mudaram. O mundo nunca mais será o mesmo. “No hide to place!”. Bem-vindo ao hiperconectado e frenético mundo novo!

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Autor: Luiz Valério

Luiz Valério nasceu em Juazeiro do Norte, no Cariri cearense. Sou formado em Letras e atua como professor e jornalista. Tenho pós-graduação em Comunicação Social, Assessoria de Imprensa e Novas Tecnologias. Escrevo blogs desde 2003 período a partir do qual passei a me dedicar ao estudo do tema. Seja bem vindo, a casa é sua!

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