Idas e vindas

Até meus dezoito anos, nunca havia tirado os pés da província onde nasci: a minha Juazeiro do Norte, cidadezinha encabulada, incrustada no interior do Ceará. Era rapazola brejeiro, como brejeiros são todos os moradores do interior brasileiro.

Passados cinco anos do ano em que me tornei homem feito – é isso que representa os 18 anos para os meninos do Nordeste – casei e, pouco tempo depois, começou a minha nova vida de nômade. Desde então, passei a viver um pouco aqui, um pouco ali, sempre em movimento, como uma cobra na areia quente buscando um lugar para se aquietar– como diria a minha mãe.

Senhor de si mesmo, o tempo passou com uma rapidez impressionante. Fiz dois filhos. Tornei-me um pai que se considera despreparado para o ofício. Mas não teve jeito. Já era.

E as andanças continuaram. Acabei aportando neste pedaço de Brasil, esse quase outro país que é Roraima. Aqui estou faz cinco anos.

Foi daqui, dessa terra extrema, que saí para conhecer boa parte do Brasil: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas, Brasília, Pará, Amazonas, Goiás, etc. Neste último, deixei a parte pensante do meu ser: o coração. Para quem não sabe, penso com o coração e sinto com a mente.

Descobri que não quero criar raiz num só lugar. Quero ir e vir sempre que bater a vontade. Quero poder desfrutar dessa ilusória liberdade de gente grande. Essa coisa que pensamos que temos, mas não temos. Mas buscamos sempre.

Aliás, somos escravos dessa sensação de liberdade. Nos prendemos a ela que nem nos damos conta de que essa idéia fixa passa a ditar todas as nossas ações. E, assim, vamos vivendo na (in)certeza de que não temos amarras. Mas, se temos…

Nessa sede de ir e vir, viverei os meus dias, até que essa liberdade imaginária cesse e eu me veja preso à terra em definitivo, nos únicos sete palmos de latifúndio que cabe, de fato, a cada um nós. Escrevi tanta bobagem apenas para dizer que estou de volta de pouco mais de um mês de férias e um punhado de dias de sonho. Voltei, enfim. Até a próxima partida.

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