Cenas urbanas

Anápolis – Sexta-feira, dia de muito movimento no centro comercial da cidade.

Centenas de “Homo Consumus” enchem as ruas e lojas, num vai e vem frenético.

Na loja ao lado da lotérica onde tento a sorte um som com o volume ensurdecedor toca uma daquelas músicas intragáveis que viram hit junto à molecada.

Uma cena protagonizada por pedintes me chama a atenção. Até na miséria há graça.

Um dos “atores” do pequeno ato do teatro da vida está sentado bem na calçada da lotérica onde me encontro.

Um seu colega de “ofício”, de passagem, pára, troca algumas palavras e começa a esmiuçar o apurado do dia do companheiro de miséria.

Mexe as meodas para lá e para cá, dá um sorriso pobre de dentes e exclama:

– Hoje o dia foi ruim para você, não é amigo?!

O outro, resignado, apenas acente com os ombros, deixando escapar um sorriso sem graça, como quem diz que amanhã será melhor.

A poucas quadras dali, faz ponto uma outra senhora que aparenta ter uns setenta e tantos anos.

Todos os dias, logo cedo, ela é deixada de carro pelo filho para começar o dia de petição.

Os moradores antigos de Anápolis garantem que esta senhora é proprietária de várias casas alugadas na cidade. Ao que se sabe, todas as casas são administradas pelo filho, o mesmo que a deixa no “trabalho” de carro.

Também na miséria há desigualdade. Enquanto uns conseguem construir até patrimônio às custas de esmolas, outros não apuram nem para o feijão do dia.

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