PALAVRAS COM GOSTO DE MORTE

Não é fácil ser escritor no mundo árabe, onde a liberdade de expressão ainda é um sonho distante. Os donos do poder naquela região do mundo não admitem ser questionados e muito menos ver assuntos-tabus serem tratados em livros e jornais. Recentemente, o escritor Orhan Pamuk, ganhador do Nobel de Literatura no ano passado, teve que deixar o seu país – a Turquia – e migrar para os Estados Unidos. A morte de outro escritor de renome no país, Hrank Dink, em janeiro, por um jovem nacionalista em Istambul, deixou Pamuk assustado. Dink escreveu sobre o genocídio de armênios em 1915. O assunto era proibido no país. Por isso ele morreu. Outros dois escritores do mundo árabe também sofrem pressão por tratar em seus livros de temas proibidos. Naguib Mahfuz, que foi o primeiro árabe a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura, no ano de 1988, teve alguns dos seus 50 livros boicotados nos países mulçumanos pelo simples fato de defender a paz entre Egito e Israel. O outro escritor árabe de renome internacional que enfrenta dificuldades para viver em seu país é Salman Rushdie, autor do livro “Versos Satânicos”. Por causa desta obra ele sofreu perseguição política e religiosa vinda do aiatolá Khomeini, líder do Irã, que decretou a sua morte. Khomeini viu blasfêmias contra Alá no livro de Rushdie, que só pôde voltar a levar uma vida normal há pouco tempo, depois de passar um tempo vivendo escondido. Por tudo isso, temos motivos de sobra para comemorar pelo fato de vivermos no Brasil.

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