JORNALISMO CIDADÃO

Em conversa com uma amiga jornalista, fui questionado sobre se nós, do Roraima Hoje, fazemos jornalismo para a academia ou para a população. A pergunta se deve à crítica da mídia, com as abordagens técnicas e sobre ética e conteúdo que fazemos aqui na coluna IMPRENSA URGENTE. Grande parte dos praticantes de jornalismo local ainda não conseguiu digerir a novidade de um ombudsman na imprensa roraimense. O provincianismo reinante por aqui ainda impede algumas pessoas de enxergar faróis que já começaram a disparar seu foco de luz há muito tempo nos centros jornalísticos mais desenvolvidos. Para alguns poucos não afeitos a críticas ou acostumados com elogios fáceis, a postura de quem faz esta coluna é a de um pedante. Se querer contribuir para a melhoria do jornalismo praticado por essas plagas é pedantismo, então, o sou e com orgulho.
Enquanto jornalistas se mostram incomodados com a análise crítica diária do fazer midiático que encampamos aqui no Roraima Hoje – empreitada que iniciamos mesmo sabendo que seríamos incompreendidos por alguns que se consideravam estrelas solitárias no céu do jornalismo de Roraima – temos recebido exatamente do leitor comum uma recepção calorosa e encorajadora. Telefonemas e visitas amistosas à Redação do nosso impresso nos leva o alento e a certeza de que estamos no caminho certo. Os melhores jornais do país fazem o media criticism. Nós temos a convicção de que é preciso dividir com o leitor algumas das nuances da profissão, para que ele entenda como se dá o processo de produção da notícia e possa participar de forma decisiva com críticas, dicas e sugestões.
A Internet mudou toda a relação dos jornalistas com seus leitores. Na rede mundial de computadores pipocam, todos os dias, os chamados sites colaborativos, onde o leitor deixa de ser apenas consumidor de informação e passa a ser, também, produtor. Essa benéfica mudança foi trazida primeiramente pelos bolgs (diários on line), que abriram seus campos de comentário para a participação do público. Agarrando-se à oportunidade de sair do papel passivo de consumidor de notícias, os leitores passaram a querer cada vez mais participar, saber como se produz jornalismo, deixar de ser apenas um bom personagem de notícia, usado para aquecer a venda de jornal no dia seguinte. Os “jornais de papel” precisam se adequar a esse novo paradigma midiático. Alguns dos bons jornais do país, como o Zero Hora, de Porto Alegre (RS), por exemplo, abriu as suas páginas para a colaboração dos leitores com matérias jornalísticas, naquilo que está sendo chamado de “jornalismo cidadão”. Porque será que só Roraima teria que ficar para trás? Vou insistir nesse questionamento sempre.
Então, em resposta à minha “coleguinha” de ofício, digo que praticamos, sim, um jornalismo voltado para a população. Mas queremos oferecer mais que notícias policiais e as pautas repetidas de sempre. Queremos ir além e fazer com que os leitores entendam o que se passa numa Redação, retirar essa aura de intocabilidade que se pretende dar ao jornalismo e aos jornalistas. Estes são profissionais comuns, que devem estar em contato permanente com a sociedade. Queremos mostrar as segundas intenções que às vezes está por trás de determinadas atuações. Mais uma vez repito: jornalismo é um serviço público, que deve a esse mesmo público fidelidade absoluta. Por isso, procuramos mostrar os nossos erros, nos explicar, pedir desculpas e criticar a forma como se pratica jornalismo nos demais veículos. Todos têm o direito de não concordar com a nossa postura, mas poucos têm razão em dizer que estamos errados. A crítica da mídia nasceu no berço do Jornalismo moderno, os Estados Unidos, se espalhou pelo mundo, chegou ao Brasil e, agora aportou em Roraima. Ponto.

(Esta coluna foi publicada originalmente no jornal Roraima Hoje)

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