UM NOVO ANO, UMA NOVA POSTURA

Estamos vivendo um novo ano. Ao olhar para trás, ainda sentimos o mau cheiro dos excrementos jogados no ventilador por parte da imprensa local, quando da campanha eleitoral. Cada veículo, no afã de cumprir as determinações do seu proprietário, invariavelmente político, praticou tudo que não se pode chamar de jornalismo. Os ouvintes e telespectadores foram forçados a conviver com um circo de horrores durante meses. Emissoras de rádio e tv ligadas a grupos políticos antagônicos escreveram capítulos deprimentes da imprensa local. O bom é saber que já passou.
A partir deste novo ano, esperamos que veículos e jornalistas busquem cumprir o seu papel social, que é informar com independência – sabemos que isso parece utopia, mas deve ser a busca maior de quem faz jornalismo – para proporcionar ao público o contato com variados pontos de vistas e interpretações da realidade. Dessa forma, se estará contribuindo para a participação cidadã dos ouvintes e telespectadores, através de um posicionamento balizado em informações confiáveis e não-jocosas. O clima de campanha, do ponto de vista da prática jornalística, foi decepcionante devido a atitude de alguns meios de comunicação.
Nunca é demais lembrar que em 1997, no berço do moderno jornalismo, nos Estados Unidos da América, um grupo de jornalistas preocupados com o rumo que a imprensa tomava (o que atraia o descrédito do público) criou um fórum de discussão para tentar recuperar a credibilidade da instituição imprensa. Daí nasceu o Comitê dos Jornalistas Preocupados. Depois de ouvirem centenas de depoimentos – entre eles o dos renomados jornalistas do The Washington Post, Carl Bernstein e Bob Woodward , protagonistas das matérias que culminaram com a queda do ex-presidente Richard Nixon, no famoso caso Watergate – o Comitê resumiu os fundamentos do Jornalismo, com “J” maiúsculo. Nesses fundamentos, a principal preocupação é com a independência dos veículos e dos jornalistas, com a busca da verdade acima de tudo e com o respeito incondicional aos leitores/ouvintes/telespectadores.
Ao agir como agiram durante a campanha eleitoral em Roraima, as emissoras de TV e Rádio roraimenses praticaram tudo ao contrário do que determina os fundamentos da profissão de jornalista. Achincalhes, denúncias vazias, desconstrução de imagem, considerações públicas sobre assuntos da vida privada dos personagens envolvidos na peleja eleitoral deram o tom de uma pseudocobertura jornalística das eleições. Houve exceções de imperioso dizer.
Mesmo o ouvinte/telespectador sem um espírito crítico aguçado percebia o quanto de segundas intenções havia naquelas atuações. Que neste e nos próximos anos, esse tipo de conduta seja abolida da imprensa local. Fala-se muito da necessidade de se buscar o desenvolvimento econômico de Roraima. Mas o crescimento e desenvolvimento de um Estado, qualquer que seja ele, depende muito da qualidade das cabeças pensantes que o habitam. O exemplo deve partir da imprensa, que é quem leva a mensagem dos homens públicos aos consumidores de notícia. É isso.
(Esta coluna foi publicada originalmente no jornal Roraima Hoje)

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