IMPRENSA E PODER

Tornou-se comum governantes colocarem a culpa na mídia pelos seus erros e desacertos. Sempre que alguma mazela governamental é exposta pela imprensa, os ocupantes do poder tendem a dizer que a mídia não mostra o lado positivo, que só apontam os defeitos, que isso e que aquilo.

Mas é comum também esses mesmos governantes não se policiarem e tentarem encabrestar veículos de comunicação e jornalistas, sinalizando com benesses e/ou vantagens num claro desrespeito à liberdade de imprensa. Com empresas jornalísticas interioranas, então, esse assédio imoral e desrespeitoso é ainda mais recorrente.

Certo dia, estava eu concluindo uma entrevista com um prefeito, quando este veio com uma conversa fiada de que, na sua gestão, todos os veículos de comunicação da cidade seriam tratados de forma igual. O bolo publicitário seria dividido de forma igualitária entre jornais e emissoras de rádio e televisão. Que ele, o prefeito, queria “poder contar com toda a imprensa”. Que o “nosso” jornal não ficaria de fora.

A conversa mole do gestor tinha uma mensagem subliminar do tipo “não pega muito pesado nessa matéria”, “suaviza isso aí”. Como resposta, disse-lhe que sobre assuntos comerciais o nobre prefeito deveria conversar com o proprietário do jornal ou com o departamento afim da empresa jornalística à qual sirvo hoje. Que o meu negócio era fazer reportagem e escrevê-la. Espero que ele tenha entendido o recado.

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