“Programados pra só dizer sim”

Roraima é proporcionalmente o estado com maior população indígena do país. De acordo com o censo de 2000, a população de índios vivendo em aldeias no estado à época do levantamento era de 31.322. Outros milhares vivem na periferia da capital, Boa Vista, ou perambulam pelas ruas. São os chamados índios urbanos.

Um dos principais problemas vividos pelos indígenas no país inteiro é a descaracterização da sua cultura, processo que ocorre desde o período do dito descobrimento, em 1500. Em nome de um processo pseudo-civilizatório, cometeu-se as maiores atrocidades. Uma delas é a condição indigna de vida a que são submetidos muitos índios, muitas vezes usados pelas elites para manter seu status quo.

Por sua vez, os meios de comunicação massificam os costumes não índios que chegam pelas antenas parabólicas e mudam o perfil das comunidades indígenas, deixando seus habitantes sem identidade própria. Levados a imitar os chamados “brancos”, os índios são transformados e caricaturas de si mesmo.

Nos mais longínquos recantos do país as malocas exibem potentes antenas que captam sinais de TV por satélite. O contraste às vezes salta aos olhos, como no caso retratado nesta foto, feita na Maloca da Barata, município de Alto Alegra. A moradia guarda seus traços rústicos, típicos da cultura indígena.

Do lado de fora, porém, as marcas da cultura branca, ditadora da “bobalização”, se faz presente através da mídia excludente do país. A cultura enlatada americana, reproduzida pela grande mídia, chega até as comunidades indígenas e mudam seu modo de vida. É a força dos meios de comunicação eletrônicos “programando os indos para só dizer sim”, como denunciou cazuza na música “Brasil”.

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