Combustível venezuelano e quebra de cartel

O acordo entre o governo do estado de Roraima e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para a venda de 200 milhões de litros de combustível por ano (100 milhões de gasolina e 100 milhões de diesel) é uma medida que pode baratear o custo abusivo desses produtos automotores em Boa Vista, além de forçar uma quebra do terrível cartel hoje existente.

Para tanto, falta apenas o aval do governo brasileiro. Se a negociação for concretizada, o combustível venezuelano deve chegar a Roraima com preço de marcado internacional, bem mais barato que o praticado pelos donos de postos boa-vistenses. Hoje o litro de gasolina está sendo vendo a R$ 2,99. Um acinte ao consumidor. O governador Ottomar Pinto (PSDB) tenta, em Brasília, conseguir o aval do Ministério de Minas e Energia para a negociação.

Caso o acordo seja fechado, poderá haver ainda alguns benefícios que refletirão diretamente na população mais carente do estado. Isso porque o presidente Chávez condicionou a cessão dos 200 milhões de combustível ao governo roraimense, desde que parte dos recursos oriundos da sua comercialização seja revertida em medidas que resultem em algum bem-estar social aos mais pobres, como a sua aplicação na indústria ligada à agricultura e à produção de energia, assim como no transporte público.

Para alguns analistas de primeira hora, essas condições impostas por Hugo Chávez tem um viés populista. Pode ser. Mas no país vizinho, são medidas desse tipo que estão ajudando a Venezuela a vencer a pobreza e que e a ser reconhecida internacionalmente por ter erradicado o analfabetismo. Os trabalhadores venezuelanos, em grande parte, idolatram “el general Chávez” por sua forma de governar voltada para as demandas sociais mais urgentes.

Pode-se questionar a falta de democracia plena naquele país. Porém, a Venezuela não vive uma ditadura como a imposta ao Brasil a partir de 1964. Ademais, a nossa democracia é apenas conceitual. Na prática, o que continua valendo é a ditadura da pouca vergonha política e da impunidade concedida aos que fazem desta milenar atividade humana apenas uma forma de se locupletar da “res publica” (coisa pública).

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