Vida de repórter – I parte

A partir de hoje passo a contar neste espaço alguns causos vividos por mim nestes 11 anos como profissional de jornalismo.

Juazeiro do Norte. 2001. Câmara Municipal. Certo dia, determinado vereador se aproxima, me faz um falso cumprimento, com direito a aperto de mão e tapinhas nas costas, e diz sussurrando entre dentes num tom ameaçador, mas disfarçando a ameaça com um cínico sorriso: “Continue a me criticar em sua coluna. Eu estou adorando…”. Ele se referia à coluna política que eu escrevia no jornal local, denominada de “Chapada”, uma alusão ao acidente geográfico mais conhecido da região do Cariri – a Chapada do Araripe – e à gíria “chapado/chapada”.

Passados alguns dias, fui chamado ao seu gabinete. Pensei em não ir, mas levado pela curiosidade acabei indo. Cheguei e logo fui anunciado pela recepcionista: “vereador, o jornalista Luiz Valério já está aqui, posso mandar subir?”. Veio o convite para ir à sua sala. Uma vez dentro do ambiente, aquele olhar maquiavélico me foi lançado. O “ilustre” parlamentar, com seu domínio sofrido do português e seu ar de dono do mundo não contou muita conversa e foi sapecando a já esperada proposta indecente:

– Olha só, eu quero te dar um dinheiro. Todo mês você vem no meu gabinete que eu tenho um dinheiro pra você. Não quero que você diga mais nada a meu respeito em sua coluna.

Fingi não ter ouvido a tal proposta. Simplesmente me despedi e saí. Continuei fazendo a cobertura da Câmara de Vereadores como sempre havia feito. Como a cidade era pequena, sempre encontrava essa “ilustre” figura nos sinais de trânsito. Ele no seu carrão e eu a pé. O mesmo olhar ameaçador de sempre. Nunca mais trocamos palavra até eu mudar de estado e vir fixar residência em Boa Vista. Até a próxima.

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