Deputados querem anular votação

Deputados estaduais de Roraima rejeitaram o nome da advogada Ana Lucíola, escolhida pelo governador Ottomar Pinto (PSDB) para o cargo de procuradora-geral do Estado. O detalhe é que ela já havia sido aprovada na sabatina realizada na Casa há cerca de duas semanas. O resultado da votação que rejeitou o nome da advogada foi decorrente da falta tato político da liderança do governo.

Na sessão em que ocorreu a votação que referendaria o nome de Ana Lucíola, havia em plenário apenas 18 dos 24 deputados. O mais sensato teria sido retirar a mensagem da pauta e esperar para uma outra ocasião em que todos os parlamentares estivessem presentes. Mas não. A matéria foi levada à votação e o nome da advogada foi rejeitado, num vexame para o governo. Até mesmo três deputados da base aliada do governador votaram pela não aprovação de Ana Lucíola para a Procuradoria Geral do Estado.

Com o resultado negativo, os deputados situacionistas agora querem anular a votação. O deputado Vantan Praxedes (Prona) sustenta a tese de “violação virtual e verbal do sigilo do voto”. A tendência é que os demais deputados acatem a desculpa para realizar uma nova votação e, assim, corrigir com o velho jeitinho brasileiro o que fizeram. Só que a emenda pode sair pior que o soneto.

Ouvida por este jornalista-blogueiro, a deputada Marília Pinto (PSDB) disse que segundo Vantan Praxedes “na prévia da votação houve comentários sobre os votos”. Estão se agarrando a essa justificativa engendrada, para legitimarem a anulação da votação. Marília Pinto disse ainda que o regimento interno da Assembléia Legislativa prevê que, nesses casos, a votação seja, de fato, anulada. Na próxima semana deverá ser analisado o requerimento do deputado Vantan Praxedes, pedindo a revisão da votação.

Um detalhe: a rejeição ao nome da advogada Ana Lucíola pode ter sido, digamos, uma reverberação do clima político vivido hoje no Estado. Senão vejamos: até há cerca de um mês, Ana Lucíola era procuradora-geral do Município de Boa Vista, que por sua vez é administrado pelo grupo político do senador Romero Jucá (PMDB), pré-candidato ao Governo do Estado e hoje crítico ferrenho da administração Ottomar Pinto.

A saída da advogada do grupo “jucariano” foi repentina. Comenta-se que ela foi exonerada do cargo de procuradora-geral pela ex-prefeita Teresa Jucá (PPS), depois de ter participado de uma festa realizada na casa do chefe-adjunto do Gabinete Civil do governo estadual, Netão Souto Maior. A ex-prefeita Teresa Jucá teria tomado conhecimento da presença de Ana Lucíola na festa e, de imediato, se decidiu pela sua exoneração. Teresa não engoliu o fato de que uma assessora direta sua estivesse participando de comes e bebes na festa de um integrante do grupo de oposição.

Logo, por ser ex-seguidora do time de Jucá, a ex-procuradora do Município deve estar enfrentando alguma reserva dentro do grupo “ottomariano”. Tanto assim que uma análise do resultado da votação da última quarta-feira, 26, deixa claro que três deputados de situação votaram pela rejeição do nome de Ana Lucíola. Quem foram eles? Difícil saber. Aliás, talvez o deputado Vantan Praxedes saiba, já que ele tem notícias de comentários sobre as intenções de voto. Tanto assim que está alegando a violação do sigilo devoto. Coisas da política de Roraima.

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