Papillon, a polêmica

A saga de Papillon, desde a sua fuga da Ilha do Diabo até fixar residência nesta terra macuxi, é uma realidade roraimense. Isso já foi comprovado cientificamente através de quatro perícias, sendo a mais recente a realizada por peritos da Policia Federal, de Brasília, entre os quais esteve o renomado Paulo Quintiliano.

Exatamente por ser uma verdade, os peritos fizeram questão de colocar a comprovação da identidade de Papillon no site da Federação Nacional dos Peritos Federais (FENAPEF). O título da matéria lá publicada foi “Perito da PF encontra em Roraima o verdadeiro Papillon”.

No texto introdutório da matéria foi registrada a seguinte informação: “Laudo da Polícia Federal confirma que o famoso prisioneiro francês que fugiu da Ilha do Diabo viveu seus últimos anos no Brasil e teve sua obra roubada pelo escritor Henri Charrière”.

A Policia Federal é uma corporação séria e não afirmaria uma coisa dessas, se não fosse verdade. Tão pouco permitia que uma informação inverídica fosse colocada no site da entidade que a representa.

Na pesquisa realizada pelo fotojornalista Platão Arantes, ele prova que o escritor René Belbenoit (O Papillon) viveu, morreu e está sepultado na Vila do Surumu, em Roraima, com o nome falso de René Schehr. Platão prova também que seus dois principais companheiros de fuga Maurício Habert e Marcel são personagens de seus livros. Eles viveram e também estão sepultados aqui em Roraima.

Recentemente, ouvi uma entrevista na Rádio Folha, aqui de Roraima, e no dia seqüente li matéria na Folha de Boa Vista, reprisando o teor da entrevista concedida à emissora, onde um descendente do fundador de Normandia, questionava a pesquisa de Platão Arantes, mais precisamente a associação indevida que ele teria feito entre Maturette um homossexual que aparece no filme Papillon e nos livros Papillon e Banco e seu pai.

Não sou advogado, mas resolvi sair em defesa de Platão Arantes. Acredito que ele está sendo acusado injustamente de mentiroso. Quem conhece a história de Papillon sabe que Mauricio Habert foi, comprovadamente, companheiro de fuga de René e de Marcel. Sabe também que em Roraima, mais precisamente em Normandia, ele implantou o cultivo de tomates e casou na Igreja com uma nativa que já tinha três filhos de seu primeiro casamento.

Às páginas 243 e 244 do livro Banco, assinado por Henri Charrière, está a transcrição de um dialogo entre o escritor e Marcel. Lá, está claro que o escritor tentou associar fatos vivenciados em Roraima pelo fundador de Normandia e os colocou no personagem Maturette, que supostamente teria vivido na Venezuela.

Na página 243 de “Banco”, o escritor pergunta: “E agora que faz você, Marcel” e este responde: “Tenho uma Plantação de tomates em Morichales”. Em outra passagem, Henri Charrière pergunta: “De que é que você precisa? Diga Marcel”. Recebe como resposta: “De umas calças, um par de sapatos, uma camisa e uma gravata”. Na parte seguinte diz Marcel: “É pena, porque você podia transportar os noivos no seu carrão”. O escritor lança nova pergunta: “ Que noivos? Eu os conheço?”. Então, responde Marcel: “Não sei. Chama-se Maturette”.

Na continuação da pagina 244 diz o escritor:”Não se falou mais de partir. No dia seguinte, assistimos ao casamento de Maturette com uma gentil moça cor de café com leite. Não poderia fazer menos do que pagar a conta e vestir os três filhos que eles tinham antes de se apresentarem perante o padre. Foi das raras vezes que lamentei não ser batizado.”

Observando atentamente essa transcrição do livro Banco e os fatos vivenciados pelo fundador de Normandia em Roraima, dá para perceber que a história é idêntica. Qualquer advogado saberia absolver Platão Arantes de qualquer acusação.

Como já foi comprovado que Henri Charrière adulterou os manuscritos de René Belbenoit (o Papillon), obviamente que as modificações deram a entender que esse casamento teria acontecido na Venezuela.

Mesmo transcrevendo esses fatos no seu livro, o fotógrafo e escritor Platão faz a defesa do fundador de Normandia quando cita que “René levantara um falso ao seu companheiro de fuga Maurice Habert.”

Recentemente, conheci o professor Parazinho, uma das pessoas que conviveram com Papillon, na Vila Surumu. Ele confirmou tudo o que disse em entrevista a Platão Arantes e consta no livro escrito por este. Parazinho disse textualmente: “René não gostava de Mauricio Habert e quando se referia a ele contava coisas horrorosas que aconteceram na prisão e aqui em Roraima.”

O que eu não entendo é o porquê do livro de Platão Arantes ter sido publicado em 2001 e somente agora, estar sendo contestado. Fica subentendido que por trás dessa atitude de contestação há interesses de pessoas inescrupulosas, que tentam jogar o filho do fundador de Normandia contra o Platão. E isso não é bom, pois quanto mais remexem nessa história e inventam versões, mais denigrem a imagem do fundador de Normandia. Deixem que ele descanse em paz.

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One Response

  1. Emanuele Habert 23/05/2012

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