A desintrusão da Raposa

A proximidade das ações de desintrusão da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, tem deixado políticos e parte da população dos municípios inseridos na região bastante intranqüilos. Trata-se de uma situação delicada, pois a elite fundiária local considera que 1,7 milhão de hectares “é muita terra para pouco índio”. A questão indígena neste estado, como em todos os outros, é toda ela impregnada de embates ideológicos e uma pitada de preconceito contra os índios.

Na iminência da desintrusão, o desencontro de informação e a contrariedade manifesta pelos poderes constituídos locais – Governo do Estado, Assembléia Legislativa, Câmara de Vereadores, bancada federal, aliados aos clubes de serviço e entidades de classe – em relação à homologação da reserva fez surgir um clima de tensão. Muitos são os que prevêem conflitos entre índios e não indos, quando os fazendeiros e posseiros tiverem que sair da região, deixando para trás o seu patrimônio, construído nua terra há muito demarcada e pretendida pelos índios. Ou como dizem aqui, pela Funai (Fundação Nacional do Índio).

Nesta quinta-feira Santa, 13, o diretor do Comitê Gestor do Governo Federal que cuida das medidas preparatórias para a desintrusão, José Nagib, disse que não há nenhuma preparação para usar de força na retirada das pessoas daquela região. Seria insensato se isso estivesse previsto. Nagib afirmou também que a desintrusão se dará de forma gradual, obedecendo a um cronograma de pagamento de indenizações e de reassentamento das famílias que forem retiradas da região da Raposa. É o que garante Nagib.

Agora é esperar prudência por parte dos fazendeiros que terão que sair de lá. Alguns mais insatisfeitos com a homologação, como Paulo César Quartieiro (PDT), prefeito de Pacaraima, município na fronteira com a Venezuela, insistem em prever prenúncio de conflito. Alguns veículos de comunicação roraimenses teimam em ouvir “autoridades” que cospem conflitos todos os dias nas páginas de jornal. Eu de minha parte, espero que tudo se resolva pacificamente. No tempo de se fazer algo para evitar a demarcação da área nada se fez. Agora não adianta chorar pelo que não tem mais jeito.

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