Os sonhos se realizam, quando queremos

Dias atrás, fui convidado para escrever uma cartilha sobre a história do Legislativo em Roraima. Será um livreto voltado a estudantes, fazendo um apanhado histórico de todas as legislaturas e de todos os legisladores roraimenses em todas as esferas: municipal, estadual e federal. Um trabalho de pesquisa bastante enriquecedor para um jornalista político. Principalmente para um que, como eu, está em Roraima há pouco mais de quatro anos. O trabalho está em andamento e deve ser concluído nos próximos dias. Será mais um passo dado nessa minha caminhada em busca da construção de uma carreira como homem de Letras.

É engraçado e gratificante como os nossos sonhos se realizaram, quando corremos atrás deles. Intuitivamente e, mesmo antes de ter um contato mais direto com os livros, acalentava o sonho de viver da escrita. Algo assim, romântico, motivado pelo que via nas ilustrações dos jornais que vinham embrulhando o peixe da sexta-feira, comprado no mercado da cidade, ou nas revistas velhas que conseguia com os amigos para alimentar minha fome precoce de informação.

O tempo foi passando e surgiu um outro sonho, que substituiu temporariamente o de me tornar escritor, que era ser radialista – ou nas minhas palavras infantis (pois eu tinha apenas 11 anos à época. Nossa, já se passaram 21 anos de lá até aqui!) o homem do rádio. A concretização desse sonho profissional veio primeiro. Entrei no agitado mundo do jornalismo pelas ondas eletromagnéticas de uma pequena emissora de rádio de uma cidadezinha localizada no interior do Ceará, a canavieira Barbalha – terra de Santo Antônio -, “o casamenteiro”, segundo a crença das solteironas da região.

Comecei como plantonista da emissora no serviço de rádio escuta, em abril de 1995, há exatos 11 anos. Departamento de Jornalismo Esportivo. Quase dois anos depois, fui convidado para escrever a página de esportes de um jornal regional diário – o pequeno, mas prestigiado Jornal do Cariri, empresa ligada ao mais importante ainda O POVO de Fortaleza. Era 1997, e alí começava a tomar forma o meu sonho de ganhar a vida escrevendo. Ganhar pouco, bem pouco, diga-se de passagem. Um ano depois, passava para à Editoria Política. Concomitantemente, fazia a cobertura dos festejos religiosos celebrados em Juazeiro do Norte, em homenagem ao Padre Cícero Romão Batista, o maior mito religioso do Nordeste brasileiro. Padre Cícero é o homem, que com a mitologia criada em torno de si, sustenta a economia de um município há décadas, atraindo turistas de todos os pontos do país. Mais de dois milhões de pessoas por ano, todas movidas pela fé.

Pouco tempo depois, concluía meu curso superior de Licenciatura Plena em Letras e, dois anos após, o destino me traria para ancorar em Roraima. E aqui o meu trabalho como jornalista, já amadurecido pelos quatro anos e meio de jornalismo impresso exercido no Jornal do Cariri, se consolidou em definitivo. E, cada vez mais, o meu sustento passou a ser retirado da ponta dos meus dedos, no ato da escrita. Como todo escritor não-famoso (estou muito longe disso, por sinal), levo uma vida modesta, mas satisfeito com o ofício. Para completar o orçamento, uso a minha formação em Letras em sala de aula, ministrando aulas de Língua Portuguesa.

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