Hoje é uma data para reflexão

Hoje é o Dia do Jornalista. Data de celebrarmos e cobrarmos das autoridades o respeito à liberdade de imprensa. Aproveitando a ocasião, o Governo do Estado de Roraima fez publicar nos jornais de circulação local um institucional em homenagem aos profissionais de jornalismo com os seguintes dizeres:

“Calar ou censurar o rádio, o jornal e a televisão é a primeira medida de todo tirano quando chega ao poder. Porque sem liberdade de imprensa fica muito mais fácil acabar com as outras liberdades. Por isso o jornalista é tão importante para a vida democrática. O livre exercício dessa profissão é uma garantia para o livre exercício da cidadania”.

Dito dessa forma é realmente lindo. Mas só no papel. A realidade, porém, é outra. Os dirigentes de poder em Roraima apreciam o fazer jornalístico, desde que os jornalistas lhes sejam subservientes e dóceis. Os dois maiores grupos políticos locais detêm em suas mãos vários veículos de comunicação em que só se pode falar bem do proprietário e “malhar o Judas” quando o assunto for o adversário político. Isenção é uma palavra abolida do dicionário dos “coronéis da mídia de Roraima”.

É forçoso reconhecer, no entanto, que essa é uma triste realidade que se configura em todo o país, mais notadamente nas regiões Norte e Nordeste. As listas de nomes proibidos de serem citados nos jornais aqui são mais extensas e recorrentes que nos outros lugares. A manutenção de veículos de comunicação pelos detentores do poder tem o objetivo de legitimar suas ações e decisões muitas vezes discutíveis e de intenções inconfessáveis. Assim fica mais fácil de manipular a opinião pública.

Nesse contexto, o Sindicato dos Jornalistas se mostra omisso. Até porque o seu presidente está atrelado ao grupo político hoje detentor do maior número de veículos de comunicação, o do senador Romero Jucá (PMDB), que possui duas emissoras de televisão, uma de rádio e gora está fazendo nascer um jornal, ao que fui informado chamado de O POVO. Se a política editorial do novo diário seguir a mesma linha dos demais veículos do grupo, o seu similar e inspirador O POVO de Fortaleza, deverá corar de vergonha.Mas é isso. As afirmações e reflexões acima são apenas para dizer que nesse Dia do Jornalista é preciso que todos os colegas que trabalham na imprensa em Roraima parem e pensem sobre os rumos da profissão. Precisamos nos impor para conquistarmos o respeito que a categoria está perdendo. Afinal, como diz a nota que comemora a data divulgada pela Federação Nacional dos Jornalistas:

“Os tempos mudaram, mas o apetite dos proprietários dos veículos de comunicação por mais lucros e menos custos continua o mesmo. Perdem os Jornalistas, que não vêem seu esforço recompensado, e perde a sociedade no seu direito à informação com qualidade. Por isso, reafirmamos a necessidade da luta permanente de nossa categoria por sua valorização profissional, e destacamos a importância das campanhas nacionais que a FENAJ e os Sindicatos de Jornalistas desenvolvem.”

“A desvalorização de nossa profissão e de nossa função social não se dá apenas nos baixos salários e condições de trabalho. Há outras facetas, como tentativas de mudanças na legislação que rege nossa profissão e de derrubar a exigência de diploma de curso superior como requisito para o exercício profissional do Jornalismo. Não bastasse isso, enfrentamos, também, a pressão de alguns empresários para modificar o regime de contrato de profissionais para Pessoas Jurídicas (PJ) e burlar a legislação trabalhista”.Meus parabéns a todos os colegas. É isso aí.

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