Mudança de secretário prejudica projetos


Antes da professora Joyce Wania, já tinham passado pela Educação, por ordem cronológica, Ilma Xaud (esquerda), Adjalmo Abadi (centro) e Hildebrando Falcão (direita)

A Secretaria de Educação, Cultura e Desporto do Estado (Secd) é a maior pasta da administração estadual e também a de maior orçamento. Somente de recursos do Fudef (Fundo de Desenvolvimento da Educação e Valorização do Magistério) a Educação estadual recebeu nada menos que 137.948.176,30 no ano passado (veja quadro abaixo).

Nesses 16 meses de governo de Ottomar Pinto, já foram operadas quadro mudanças de secretários, sempre sob a justificativa de que o ocupante do cargo não está atendendo ao que dele se esperava.

Na sexta-feira, 31, o governador Ottomar Pinto resolveu mexer na titularidade da pasta mais uma vez. Saiu de cena o então secretário Hildebrando Falcão, um aliado histórico e de primeira hora do chefe do Executivo, para ceder o lugar à nova secretária, Joyce Wania, até então chefe do Departamento de Educação Física da pasta. Os motivos da saída de Hildebrando não ficaram bem esclarecidos.

Ao longo dos meses, o governador tem reclamado da falta de acerto dos ocupantes da pasta da Educação, que não estariam “acertando a mão”, na administração da secretaria. Foi assim com Ilma Xaud – que, como Hildebrando, é aliada de longa data de Ottomar Pinto. Ilma teve uma gestão tumultuada na Educação. Depois de muito bate-cabeça à frente da secretaria, a professora acabou sendo substituída pelo também professor Adjalmo Abadi. Ela foi deslocada para dirigir a Fundação de Ensino Superior de Roraima (Fesur).

Adjalmo passou cerca de quatro meses no comando da secretaria. Logo, surgiu uma disputa de bastidores entre ele e o agora ex-secretário Hildebrando Falcão. Este acabou prevalecendo como vencedor da “queda de braço”. Não tardou para que assumisse o lugar do bem intencionado Adjalmo.

Na solenidade de posse de Hildebrando como novo titular da pasta, Adjalmo Abadi não escondeu seu desapontamento com a sua substituição da forma como ocorreu, mas se colocou à disposição do governador Ottomar Pinto para colaborar da maneira que pudesse na sua administração. Foi, então, designado para cuidar da implantação da Universidade Virtual, um dos projetos da administração voltado para a ampliação da oferta de ensino superior no Estado através do método de ensino à distância.

Hildebrando no poder, parecia que tudo estava no lugar. Até que ao anunciarem à imprensa a data e o quantitativo de recursos o Fundef que seria repassado para os professores, no início de março, o então secretário de Educação e o governador Ottomar Pinto tiveram uma ligeira divergência diante das Câmaras de televisão sobre a data do pagamento dos recursos do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental aos profissionais de Educação. Foi ali, segundo fontes de dentro da secretaria, que começou a derrocada de Falcão.

“Você não me disse agora há pouco que o dinheiro estaria na depositado na conta dos professores amanhã”, argüiu publicamente o governador Ottomar a Hildebrando Falcão, na ocasião, diante dos questionamentos da imprensa. “Eu não disse nada disse”, rebateu Hildebrando. Ali pode ter sido o início do fim da gestão do ex-secretário à frente da pasta mais cobiçada da administração estadual.

Porém, no caso de Hidelbrando, o governador Ottomar Pinto tem justificado agora que a sua saída da secretaria fora uma mudança necessária em decorrência da legislação eleitoral, que obriga os postulantes a cargos eletivos a se desincompatibilizar das suas funções públicas no final de março par poder concorrer nas eleições de outubro.

No entanto, nas últimas consultas feitas ao ex-secretário Hildebrando e a seus assessores, estes afirmaram que ele não teria intenção de disputar vaga nem na Assembléia Legislativa nem na Câmara dos Deputados. Ottomar disse ainda ser preciso uma maior proximidade entre a Secretaria de Educação com os professores. Estaria havendo deficiência na comunicação. Que seja realmente só isso.

Com essa mudança constante de secretário, os projetos da pasta sofrem de problema de continuidade. Aliás, não é à toda que ao longo dos últimos anos, Roraima tem estado na “rabeira” dos resultados do Enem e do Saeb. O baixo rendimento nesses exames nacionais que avaliam a qualidade da educação dada aos alunos pelos sistemas estaduais de ensino aponta que algo está errado em Roraima. E essas mudanças freqüentes no comando da secretaria também.

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