O PT, Frei Betto e a Mosca Azul

Ele é frade dominicano e recebeu o nome de Christo. Assim como o Nazareno, é cheio de fé e luta, principalmente no campo idéias, por um mundo melhor e mais justo. Um país pelo menos, o nosso. Carlos Alberto Libânio Christo, mais conhecido por Frei Betto, articulador político, criador das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), escritor e ex-integrante do governo Lula, na gestão do Programa Fome Zero, lançou recentemente pela editora Rocco o seu livro de número 53, intitulado “A Mosca Azul – Reflexão sobre o Poder”.

É um depoimento dos dois anos que fez parte do governo. Fala da sua desilusão com o governo petista, que do qual ele esperava mudanças profundas nas políticas sociais do país, além do paliativo Fome Zero. Uma verdadeira aula sobre a história política do país, desde a Nova República até os dias amargos dos “mensalões” da vida.



O título do livro é sugestivo. Remete-nos àquela aura de autoendeusamento por aqueles que assumem o poder. O escritor fala no livro do seu desencanto ao perceber que tão logo chegou ao poder, Lula se rendeu aos ditames econômicos da elite, esquecendo os compromissos firmados com os trabalhadores ao longo dos anos de construção do Partido dos Trabalhadores.

No capítulo X do livro, pode-se ler: “Hoje eu me pergunto se o líder petista queria mesmo aquilo [a construção de uma sociedade socialista, como apregoou na 1º Convenção Nacional do Partido, realizada no auditório do Senado em setembro de 1981] ou demonstrou condescendência à posição de [Francisco] Weffort e por mim. A dúvida acentou-se-me quando, na Presidência da república, ele [o presidente Lula da Silva] declarou em público que nunca fora de esquerda e evitou promover reformas de estruturas, como a fundiária. Ora, o poder não muda as pessoas, faz com que manifestem a verdadeira face” (página 96).

Essa passagem do novo livro de Frei Betto demonstra e explica o porquê de um dos maiores defensores e incentivadores da candidatura de Lula nas quatro eleições em que disputou a Presidência da República, tenha abandonado o navio no meio da viagem. O rompimento de Lula com o que até então havia pregado o PT foi de mais para Frei Betto.

Sobre o PT, o dominicano escreveu: “O que resta daquela marca socialista que a convenção de Brasília imprimiu ao PT? Enquanto estive no Planalto, as palavras socialismo e socialista jamais foram pronunciadas. (página 99) Um pequeno núcleo dirigente do PT conseguiu em poucos anos o que a direita não obteve em décadas, nem nos anos sombrios da ditadura: a desmoralização da esquerda” (página 121).

Frei Betto, deixou o governo Lula em dezembro de 2004, antes da explosão do escândalo do “mensalão”, do qual ele diz não ter sequer desconfiado, enquanto esteve no governo.

PS – Recomendo a leitura. Além de uma excelente aula sobre política brasileira, é também uma demonstração de fé e esperança no futuro. Sentimentos que não podem arrefecer no coração dos brasileiros.

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